Por Freddy Dominguez, Vice-Presidente de Gestão de Mercado para a América Latina do Expedia Group

Quando chegarmos a 2020, também daremos boas-vindas a uma nova década. É um momento de não apenas fazer apostas para os próximos anos, mas também uma boa oportunidade para uma retrospectiva que mostre até que ponto a nossa indústria chegou.

Desde 2010, os debates e previsões do setor do Turismo foram diversos: o mercado estavam a recuperar de uma recessão global com um impacto desconhecido a longo prazo; o crescente interesse em viagens experienciais levou a incertezas quanto aos negócios do dia a dia; e o impacto de tecnologias como criptomoedas, realidades aumentada e virtual, inteligência artificial e sistemas de voz na indústria foram assuntos constantemente discutidos.

Houve alguns sucessos: a recessão deixou a indústria relativamente incólume, mas a conversa voltou-se para o impacto económico das instabilidades políticas em diversos países; as viagens baseadas em experiências são reais, florescendo como grandes oportunidades de negócios; e algumas das novas tecnologias já estão a causar impacto real: a inteligência artificial (IA) com mecanismos preditivos e chatbots, e a tecnologia de voz com pesquisa de viagens e integração de reservas nos dispositivos Alexa e Google Assistant.

Não seremos negligentes em não mencionar as batalhas pelas reservas diretas que ocorreram nesse período. Felizmente, chegamos longe desde então, moderando o tom dessas conversas e transformando essa batalha num trabalho mais colaborativo com os nossos parceiros de hospedagem, para colocar as nossas forças tecnológicas ao seu serviço para resolver os seus desafios mais singulares. A Marriott é um ótimo exemplo disso, notado quando anunciamos uma solução de distribuição por atacado pioneira no setor, que foi descrita como algo totalmente fora do caixa.

Disney World, Orlando, Estados Unidos

Agora, com um novo ano e uma década pela frente, temos as nossas próprias previsões – que removerão o atrito dos viajantes e farão o tal script parecer ultrapassado.

Mudanças Geracionais e Geoeconómicas

Embora o meme do “OK Boomer” possa ser um pouco extremo, ele ilustra uma lacuna crescente entre as pessoas de diferentes idades – perspectivas, interesses e valores únicos definem as gerações, mudando a cara da viagem e a forma de envolvimento  dos vários fornecedores da área.

De acordo com uma pesquisa do Expedia Group Media Solutions, os viajantes mais jovens desejam experiências e aventuras únicas, abraçando totalmente a mentalidade #YOLO (Iniciais da expressão You Only Live Once, ou “só se vive uma vez”). E agora vem a Geração Alfa. As boas notícias para o próximo ano: essas pessoas, hoje em dia com no máximo dez anos de idade, nasceram de pais millennials, que não estão a diminuir a velocidade com que viajam. O desafio: eles podem ser jovens e pequenos, mas são poderosos e têm um grande impacto quando se trata de influenciar as decisões de viagem da família.

Em uma década, os membros da Geração Alfa – que se espera ser a geração mais formalmente educada e mais rica em comparação com as anteriores – completarão 20 anos. Na faculdade e/ou no trabalho, eles tomarão suas próprias decisões de viagem à medida que abrem caminho pelo mundo.

Espera-se que eles desejem uma experiência de viagem totalmente digital e sem atritos – explorando novos destinos nos seus dispositivos de realidade virtual em casa enquanto compram a próxima viagem, interagindo com os seus familiares através da realidade aumentada, usando bots avançados que instantaneamente montam itinerários de viagem personalizados incluindo opções de hospedagem e alimentação. É uma aposta segura que essa geração será bastante viajada, tanto no sentido físico como no virtual.

No ano novo, muitas áreas do mundo podem permanecer imprevisíveis devido a vários fatores, como guerras comerciais ou eleições. Apesar das incertezas que afetam as viagens, a crescente classe média em todo o mundo, e especificamente em lugares como a África, indica que as pessoas estão a melhorar e tendo maior acesso a bons salários. E pode parecer óbvio, mas diremos mesmo assim: melhores salários equivalem a mais pessoas a viajar e alimentar o consumo nos próximos anos.

A mudança no modo como trabalhamos

Embora o trabalho na “firma” das 9 às 18 horas ainda possa ser uma norma para muitos, há uma diversidade cada vez maior de maneiras de trabalhar. À medida que muitas empresas investem mais recursos no bem-estar dos funcionários e oferecem políticas mais flexíveis para viajar e trabalhar de qualquer lugar, a satisfação e a produtividade deles aumentam, aumentando também a felicidade e a liberdade nas suas vidas pessoais. Nos próximos anos, as pessoas terão mais tempo e, talvez, mais dinheiro para serem usados em atividades como viajar.

No entanto, a arte das viagens a negócios nunca desaparecerá; na verdade, se tornará mais importante à medida que as empresas crescerem e procurarem obter uma vantagem competitiva. A política de viagens de uma empresa reflete sua cultura e compromisso com o seu pessoal, tornando-se um componente essencial na atração de talentos.

Vamos analisar as possibilidades de viagens que conectam trabalho e lazer. O fecho do seu escritório ou o seu tempo de folga planeado, por exemplo, são refletidos no seu calendário. Por meio da IA, uma possibilidade personalizada de viagem pode ser prevista e você será notificado. “Você tem um período livre, é hora de reservar uma viagem?” “Deseja estender a sua viagem de negócios no próximo mês a Londres para férias em família?” E, com um clique de ‘sim’, está no caminho de um itinerário personalizado com base nas suas necessidades e preferências.

Diversidade nas acomodações

Viagens que misturam negócios e lazer, viagens que servem a propósitos de saúde… são muitos fatores que levam à diversificação das acomodações. Com a procura de viagens no Vrbo por casas flutuantes, iates e trailers subindo até 30% ao ano, chegou a próxima onda de acomodações exclusivas.

A diversificação é importante, pois os viajantes devem sempre ter a opção que melhor atenda às suas necessidades de viagem, embora os hotéis, sejam de grandes redes ou independentes, continuem sendo uma parte crítica do ecossistema.

Ao aplicar a IA, as empresas podem prever o que os consumidores comprarão com base em padrões de consumo pessoais, e as compras de hospedagem não são diferentes. Imagine uma experiência de reserva que recomende automaticamente uma propriedade específica com base nos padrões anteriores das suas viagens. Estamos apenas a arranhar a superfície do que podemos fazer para oferecer experiências mais personalizadas e mais rápidas do que nunca.

Pé na estrada

Embora a “staycation”, ou as férias tiradas na sua própria vizinhança, já tenha sido uma concorrente silenciosa para fornecedores de hospedagem, dados recentes da Vrbo mostram que viajantes em cidades dos Estados Unidos estão cada vez mais a reservar aluguéis de férias no seu próprio quintal – o que significa que estão a sair, mas não para muito longe.

Os gastos com infraestrutura, combinados com melhorias nas estradas e tecnologias automotivas, estão a tornar o ato de conduzir mais confortável e eficiente. Podemos esperar que, com melhores estradas e pessoas tornando-se mais conscientes das suas pegadas de carbono e de quando precisam mesmo viajar de avião, podemos ver o retorno das road trips, permitindo que as pessoas vivam e viajem de maneira mais flexível e espontânea.

Redefinindo a experiência do aeroporto

Estamos a ver crescer um comportamento de viajante antes considerado bastante improvável: pessoas que preferem o aeroporto com melhores tarifas ou comodidades, como filas mais rápidas e melhores opções de alimentação, mesmo que isso signifique um deslocamento bastante maior do que aquele que seria feito para o terminal mais próximo.

Para capturar esses viajantes, os aeroportos reavaliarão cada vez mais, nos próximos anos, as suas ofertas – desde a variedade de rotas de viagem até opções de estacionamento, gastronomia, compras etc. – redefinindo a experiência do aeroporto.

Compra de experiências hiperpersonalizadas

À medida que os aeroportos se tornam destinos, eles também beneficiam do aumento da personalização através de amenidades, semelhantes às dos hotéis.

Na próxima década, é possível que os viajantes comprem serviços complementares por aplicativos móveis com base nas suas preferências e poder aquisitivo. Entrada VIP por filas separadas, transporte da calçada até ao portão de embarque, refeições embaladas fornecidas antes do embarque, conteúdo a bordo com curadoria personalizada e Wi-Fi a bordo são alguns exemplos. Muitos desses serviços estão disponíveis hoje, mas precisam ser adquiridos separadamente. Reuni-los numa plataforma integrada traria valor ao viajante e à companhia.

A hiperpersonalização não termina no aeroporto. Embora as amenidades sejam vantagens de longa data dos hotéis, elas também estão prontas para serem reinventadas.

Em breve, os perfis de viajantes conterão detalhes que permitirão aos hotéis se tornarem um lar longe de casa, incluindo itens como login expresso da Netflix para que seus filmes e séries estejam prontos para assistir ao chegar no hotel; a temperatura que gosta no quarto; ou opções de comida e bebida prontas para quando chegar.

Assumindo riscos

O crescimento da indústria global de viagens, uma das maiores existentes, está a acelerar rapidamente, criando enormes oportunidades para todos que proporcionam experiências incríveis para os viajantes.

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